HomePublicaçõesInsightsPor que as empresas estão voltando (quase) para casa?

Por que as empresas estão voltando (quase) para casa?

A globalização e a abertura do mercado observada há cerca duas décadas, caracterizada pela redução das barreiras comerciais nos chamados países emergentes, culminou em um fenômeno conhecido como offshoring: transferência de uma parte do processo de negócio da empresa de um país para outro, com o objetivo de reduzir custos através da utilização de mão de obra mais barata, menor carga tributária e subsídio de governos locais, por exemplo. China e Índia foram alguns dos principais destinos de grandes empresas, que viram nessa mudança uma oportunidade de aumentar a sua competitividade.

Nos últimos anos, entretanto, fatores como o aumento da inflação, dos custos de transporte e dos salários, principalmente na China, fizeram com que algumas companhias trouxessem o seu processo produtivo de volta para o seu país de origem ou para um outro país mais próximo, processo este conhecido como nearshoring. Além do fator financeiro, outras vantagens têm feito grandes empresas como a Caterpillar, GE e Ford caminhar nessa direção:

  • Com fábricas mais próximas, é mais fácil garantir a segurança da informação e do capital intelectual e evitar casos como o ocorrido em 2011 com a Apple, que viu o design do seu Ipad 2 ser roubado antes do lançamento;
  • Diminuir o tempo de lançamento de produtos e aumentar a responsividade da empresa, trazendo a produção mais perto do cliente e atendendo mais rapidamente às suas necessidades;
  • Melhorar a qualidade da produção através da utilização de mão de obra mais qualificada. Além disso, nos países com salários mais baratos, geralmente a rotatividade dos funcionários é muito elevada, o que é um complicador para as empresas;
  • Facilitar a comunicação entre todas às áreas da empresa reduzindo a diferença entre os fusos horários em que cada uma opera, que chega a ser de mais de 12 horas de diferença entre os Estados Unidos e a China, por exemplo;
  • No caso de áreas de negócios diretamente ligadas ao consumidor, o nearshoring pode trazer um alinhamento cultural importante. Esta foi uma das motivações que fizeram com que a operadora de telefones britânica Vodafone levasse o seu call center de volta para Manchester, na Inglaterra.

Em 2014, a consultoria americana AlixPartners perguntou para 143 executivos de 13 indústrias diferentes que operavam dentro dos Estados Unidos os principais benefícios esperados por eles com a decisão de nearshoring. O principal fator destacado foi a diminuição no tempo de lançamento de novos produtos e o menor custo de estoque em trânsito, como ilustra a Figura 1.

Figura 1

Figura 1 – Principais vantagens esperadas com o nearshoring

Fonte: Adaptado de AlixPartners – 2014 Reshoring/Nearshoring Executive Survey and Outlook

 

Quando perguntados sobre a expectativa de redução de custos, 51% responderam que a companhia havia reduzido ou esperava reduzir mais de 6% dos custos totais, conforme mostra a Figura 2.

Figura 2

Figura 2 – Expectativa de redução de custo com o nearshoring

Fonte: Adaptado de AlixPartners – 2014 Reshoring/Nearshoring Executive Survey and Outlook

 

Entre os principais destinos de empresas americanas que estão seguindo a tendência do nearshoring, está o México, em razão do baixo custo relativo, boa qualificação e lealdade da mão de obra mexicana, sem contar a proximidade com os Estados Unidos e utilização do mesmo fuso horário. O Canadá também vem sendo escolhido como destino para empresas americanas, pois além da questão geográfica, possui também a vantagem de falar a mesma língua. Ucrânia, República Checa, Hungria, Eslováquia e Polônia, por outro lado, têm sido os países mais beneficiados com o nearshoring de empresas europeias.

Assim como levar parte da cadeia de suprimentos para locais mais distantes em busca de menores custos foi um movimento realizado por muitas empresas há alguns anos atrás, o nearshoring é apontado como uma das principais tendências atuais de Supply Chain. Entretanto, este movimento deve ser muito bem estudado e uma gama completa de custos calculados, pois trata-se de uma decisão estratégica e a desconsideração de um fator pode causar impactos irrecuperáveis e corroer todos os benefícios esperados com o nearshoring.

Neste contexto, é importante uma reflexão dos executivos brasileiros de Supply Chain sobre como o Brasil pode, ou deve, se posicionar neste cenário?! Como vencer os imensos desafios de legislação, infraestrutura e culturais para inserir o país nas cadeias de suprimentos internacionais? Precisamos ser proativos na qualificação de nossa mão de obra e pressionar os governantes para que façam as mudanças de legislação e os investimentos necessários para sermos atrativos para os investidores internacionais, e não apenas aqueles que querem especular com as taxas cambiais.

 

Referências

<http://blogs.wsj.com/experts/2014/06/04/why-nearshoring-is-replacing-outsourcing/>

<http://www1.folha.uol.com.br/mundo/930741-tres-pessoas-sao-condenados-na-china-por-roubar-design-do-ipad-2.shtml>

<http://blog.cargomatic.com/top-7-supply-chain-trends-2016>

<http://www.ittoday.info/Articles/nearshoring.htm>

<https://www.backofficepro.com/blog/is-nearshoring-offering-a-brand-new-direction-to-outsourcing/>

<https://www.elixirr.com/wp-content/uploads/2015/08/the_rise_of_nearshoring.pdf>

<http://www.alixpartners.com/en/Publications/AllArticles/tabid/635/articleType/ArticleView/articleId/1151/2014-ReshoringNearshoring-Executive-Survey-and-Outlook.aspx#sthash.FVIpFTAG.Qjq4fXhn.dpbs>

Mais de 11 anos de experiência em projetos de capacitação e consultoria, com foco em Logística e Supply Chain. Em consultoria, realizou projetos como Plano Transformacional de Logística, Diagnóstico das operações logísticas, Estratégia e Calendarização da Operação de Transporte, Mensuração do Custo de Servir, Estudo de Mercado, Mapeamento de Oportunidades de Redução de Inventário, Revisão do Processo de S&OP, Plano de Capacitação e Implementação de Processos Comerciais em empresas como Nestlé, Raia Drogasil, Ipiranga, Lojas Americanas, B2W, Coca-Cola, Andina, Embraco, Martins Atacado, Loja do Mecânico, Santo Antônio Energia, Ecoporto e Silimed. Atualmente é uma das professores do Curso de Gestão de Estoques ministrado semestralmente pelo ILOS. Atuou no desenvolvimento e gerenciamento dos Cursos Online de Logística e Supply Chain, Processos de Suprimentos, Planejamento da Demanda, Gestão de Estoques e Gestão Industrial. Ainda na área de capacitação, foi responsável por aplicar os jogos empresariais do ILOS em empresas como Raia Drogasil, Fibria, NEC, Novartis e Moove.

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