O Banco Mundial lançou essa semana a edição 2018 da pesquisa Doing Business, que avalia o ambiente de negócios nos diversos países. Nele os países são avaliados em diferentes tópicos e, para nós, envolvidos com logística, o mais importante deles é o tópico de Comércio Internacional. Apesar da pequena melhora na pontuação em Comércio Internacional, o Brasil ocupa a posição de 139 no ranking que reúne 190 países.
Figura 1 – Imagem do porto de Santos
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Mesmo no cenário da América Latina, a situação brasileira não é das melhores. Apesar de ser uma das maiores economias da região, o País está abaixo da média latino-americana na facilidade das trocas comerciais. A América Latina é liderada pelo México, o qual ocupa a 63ª posição do ranking de Comércio Internacional, seguido pelo Chile, na 68ª colocação.
Na análise da facilidade nas trocas comerciais, o Banco Mundial avalia tanto a burocracia no processo de importação e exportação quanto os custos envolvidos nessas transações. Assim, são analisados o tempo de desembaraço dos produtos, o tempo de deslocamento da carga em território nacional entre o ponto de armazenagem e o ponto de exportação/importação, o número de documentos necessários e os custos envolvidos em todos os processos.
Em comparação às economias desenvolvidas, o tempo de levantamento dos documentos de importação no Brasil ainda é muito alto, cerca de dois dias, comparado com boa parte dos países da Europa, onde se leva poucas horas para resolver o problema. Os custos no Brasil também são muito elevados, sendo necessários quase US$ 1 mil para o desembaraço de um contêiner importado no País desde a sua chegada no porto, incluindo os trâmites nas diversas agências envolvidas, contra menos de US$200 nos Estados Unidos, por exemplo.
Logicamente, a posição do Brasil continua preocupante. E o cenário fica ainda mais sombrio diante das notícias recentes de queda nos investimentos públicos ao menor patamar em 15 anos. Carente de infraestrutura de transportes, o Brasil vê obras sendo paradas por falta de recursos públicos e também privados, com empresas devolvendo concessões por dificuldade em realizar os investimentos previstos, seja por conta da crise financeira, seja por estarem envolvidas em escândalos de corrupção.
No meio das nuvens negras, porém, existe algum raio de sol, mesmo que visto de longe. A digitalização da documentação de importação e exportação e a criação de um canal único de envio para as empresas já levaram a redução na burocracia, com as empresas fazendo apenas um envio e enviando os documentos para todas as agências envolvidas no processo. Entretanto, como se pode ver, isso ainda é pouco para o que precisamos fazer para melhorar o processo de exportação e importação no Brasil.