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Green Supply Chain é destaque entre os chineses

Em razão dos baixos custos de mão-de-obra e insumos, inúmeras empresas levaram seus parques produtivos para a China, buscando assim elevar a competividade da sua cadeia de suprimentos. Para o desenvolvimento do país, isto foi excelente, que viu sua economia crescer a passos largos e se tornar a segunda maior do mundo. A natureza, entretanto, está cobrando a conta: a China é o país que mais emite gases do efeito estufa em todo o mundo e, por conta do ar extremamente poluído, estima-se que cerca de 4 mil chineses morram por dia.

Para incentivar as empresas não só a serem mais sustentáveis ambientalmente, mas também socialmente, o Institute of Public & Environmental Affairs (IPE) e o Natural Resources Defense Council (NRDC) desenvolveram no ano passado o CITI (Corporate Information Transparency Index, ou, em tradução livre, o Índice de Transparências das Informações Corporativas). Trata-se do primeiro sistema quantitativo de avaliação do mundo a medir o desempenho ambiental da cadeia de fornecimento de grandes marcas com operações na China. O sistema avalia basicamente cinco critérios – engajamento e responsividade; cumprimento das regulações e mensuração das ações corretivas; extensão das práticas verdes por toda a cadeia de suprimentos; reciclagem responsável; transparência e divulgação dos dados – e tem o objetivo de disseminar as melhores práticas verdes.

O índice de 2015 foi divulgado há algumas semanas atrás e as operações de 167 cadeias de suprimentos foram analisadas. As marcas mais bem classificadas podem ser vistas na figura 1.

Figura 1 – Top 10 das cadeias de suprimento mais verdes da China

Fonte: CITI 2015

 

Pelo segundo ano consecutivo a Apple foi a marca mais bem avaliada, corroborando os esforços que a empresa vem fazendo para se tornar mais sustentável. Após ser considerada pela GreenPeace em 2011 como a empresa tecnológica menos amiga do ambiente, a multinacional norte-americana virou o jogo e, sob a liderança de Tim Cook, a Apple tem feito grandes esforços para se tornar mais verde, comprometendo-se em utilizar apenas energia proveniente de fontes renováveis a longo prazo. A empresa já possui instalações solares que produzem mais do que a quantidade total de eletricidade usada pelos escritórios e pelas lojas da Apple na China e pretende expandir esse projeto para outras áreas do país e para seus fornecedores também.

No que se refere à sustentabilidade social, ainda há muito a se desenvolver. No início do ano, um chinês que trabalhava em uma das fábricas da Apple no país foi encontrado morto em seu dormitório. A causa? A mesma que leva cerca de 600 mil trabalhadores da China a morrerem por ano: exaustão. O óbito por excesso de trabalho é tão recorrente que ganhou uma nomenclatura especial: guolaosi. Apesar desta situação não ser uma particularidade da Apple, a empresa afirma estar tomando atitudes para coibir as longas jornadas de trabalho nas suas fábricas e na de seus fornecedores e garantir que os funcionários trabalhem no máximo 60 horas por semana.

Se há algumas décadas atrás sustentabilidade era apenas uma tendência e algo usado por algumas poucas empresas para se promover, atualmente é uma questão de primordial importância. Não só os governos aumentaram as fiscalizações e criaram novas regulamentações para coibir práticas abusivas à sociedade e ao meio ambiente, mas também a população ficou mais atenta e cobra isso das empresas. As declarações dos presidentes Barack Obama e François Hollande na abertura na COP21, que teve início esta semana em Paris, deixam claro a relevância deste tema.

Com a massificação da internet e a revolução trazida pelas redes sociais, qualquer atitude reprovável está a um clique do conhecimento de todos, aumentando enormemente a exposição das empresas. Desta forma, para se manter no jogo, cabe às organizações trabalharem em busca de operações cada vez mais sustentáveis. Caso contrário, uma hora a conta chega.

 

Referências

<http://thecityfixbrasil.com/2015/07/15/nossa-cidade-quem-sao-as-nacoes-mais-poluentes-do-mundo/>

<http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2015-08/poluicao-atmosferica-mata-diariamente-cerca-de-4-mil-pessoas-na-china>

<http://www.strategicsourceror.com/2015/11/new-report-reveals-apple-inc-has.html>

<http://114.215.104.68:89/Upload/file/CITI/2015/CITIreport%202.0-2015_EN.pdf>

<http://greensavers.sapo.pt/2015/05/30/greenpeace-apple-e-a-empresa-tecnologica-mais-verde/>

<http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/11/1701439-apple-e-foxconn-fazem-acordo-para-produzir-energia-renovavel-na-china.shtml>

<https://macmagazine.com.br/2015/10/22/apple-lanca-dois-novos-programas-para-gerar-energia-limpa-na-china/>

<http://www.inpacto.org.br/2015/03/chines-morre-em-fabrica-da-apple-por-excesso-de-trabalho/>

<http://www.inpacto.org.br/2014/07/na-china-600-mil-morrem-por-ano-de-exaustao/>

Mais de 11 anos de experiência em projetos de capacitação e consultoria, com foco em Logística e Supply Chain. Em consultoria, realizou projetos como Plano Transformacional de Logística, Diagnóstico das operações logísticas, Estratégia e Calendarização da Operação de Transporte, Mensuração do Custo de Servir, Estudo de Mercado, Mapeamento de Oportunidades de Redução de Inventário, Revisão do Processo de S&OP, Plano de Capacitação e Implementação de Processos Comerciais em empresas como Nestlé, Raia Drogasil, Ipiranga, Lojas Americanas, B2W, Coca-Cola, Andina, Embraco, Martins Atacado, Loja do Mecânico, Santo Antônio Energia, Ecoporto e Silimed. Atualmente é uma das professores do Curso de Gestão de Estoques ministrado semestralmente pelo ILOS. Atuou no desenvolvimento e gerenciamento dos Cursos Online de Logística e Supply Chain, Processos de Suprimentos, Planejamento da Demanda, Gestão de Estoques e Gestão Industrial. Ainda na área de capacitação, foi responsável por aplicar os jogos empresariais do ILOS em empresas como Raia Drogasil, Fibria, NEC, Novartis e Moove.

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