No dia 23 de julho de 2019 o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, sugeriu a intenção do governo em apoiar a substituição de caminhões movidos a Diesel por caminhões movidos a GNV. Montadoras já rodam testes com veículos fabricados especialmente para utilizar o GNV.
Diversas são as vantagens que o GNV tem frente ao Diesel, podemos citar duas principais:
- A vantagem ambiental em que um veículo com motor de ciclo Otto a GNV tem em relação a um movido a óleo Diesel. A Scania, primeira fabricante a ter um caminhão comercialmente disponível no Brasil movido a GNV, afirma que comparado ao Diesel, este novo modelo é capaz de emitir 70% menos ;
- Com os planos do “choque de energia barata” propostos pelo governo, técnicos estimam uma redução de até 40% no preço do GNV para o consumidor. Tal redução faria o GNV se tornar extremamente vantajoso do ponto de vista econômico para os transportadores e caminhoneiros, principalmente em rotas mais longas, onde o combustível tem maior peso no custo do frete;
Contudo, nada é tão simples quanto parece, já que a conversão dos veículos de Diesel para GNV não é simples (por depender de mudanças significativas nos motores já que operam com ciclos termodinâmicos distintos, um com Otto e outro com o Diesel), e, portanto, a substituição da frota deve ser feita de forma gradativa através de aquisições de novos veículos. No curto prazo é pouco razoável pensar que boa parte dos transportadores, que se encontram altamente endividados, se disponham a empenhar mais capital na modernização de suas frotas.
Além do que já foi citado, os planos de incentivo do governo podem enfrentar outras dificuldades, a saber:
1.Atualmente em boa parte do território nacional o preço médio do GNV é bastante próximo do Diesel, sendo até superior em algumas praças:
Figura 1 – Preços médios por estado consultados à partir do sistema de levantamento de preços da ANP nos meses de Mai/19, Jun/19 e Jul/19. https://preco.anp.gov.br/include/Resumo_Ultimos_Meses_Index.asp
Caso os planos de redução do preço do GNV não se concretizem, a viabilização econômica pode-se mostrar ameaçada em alguns estados;
2. A autonomia dos veículos a GNV é substancialmente menor do que a dos seus pares movidos a Diesel. Um veículo a GNV tem autonomia de cerca de 500km, enquanto que um movido a Diesel precisa reabastecer, em média, a cada 800km (a depender do modelo).
3. O tempo de reabastecimento de um veículo a GNV é consideravelmente elevado, fabricantes estimam em torno de 40 minutos para completar o tanque de 217m², suficiente para uma viagem de 500km.
4. A necessidade de redimensionamento de toda a cadeia do GNV para expandir a capilaridade da logística do GNV, refletido no número de postos em que o combustível seja oferecido, bem como a capacidade dos postos que já o oferecem.
Desse modo, a ideia do ministro parece ser positiva, sem dúvida a categoria dos caminhoneiros se beneficiaria de uma redução nos custos de transporte e talvez pudéssemos superar a discussão da necessidade de uma tabela de fretes, contudo, ela se mostra mais desafiadora do que se gostaria que fosse e uma empolgação no curto prazo pode transformar-se em frustração.
Fontes:
https://estradao.estadao.com.br/caminhoes/citrosuco-testara-caminhao-scania-movido-gas/
https://preco.anp.gov.br/include/Resumo_Ultimos_Meses_Index.asp