Fonte: Valor Econômico
Maria Fernanda Hijjar, sócia-executiva do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), lembra que mais de 20% dos grãos exportados anualmente pelo Brasil passam pelos portos do Pará e do Amazonas. “Esse é o segundo maior corredor de escoamento de grãos do país, atrás apenas do porto de Santos”, diz. Para ela, se não forem feitos investimentos nos rios, será necessário escoar grandes volumes agrícolas por caminhão, modal muito mais agressivo ao meio ambiente, pouco eficiente e de maior custo. “Em termos de comparação, o transporte hidroviário tem um custo cerca de cinco vezes menor do que o rodoviário e polui cerca de 80% menos”, compara.
Hijjar argumenta ainda que o modelo privado costuma oferecer vantagens que o modelo público não sustenta, como a continuidade de investimentos e a gestão profissional orientada a desempenho. E, se o setor privado não fizer isso, diz a consultora, será importante que o governo invista para manter as hidrovias do Norte relevantes para o escoamento da produção agrícola do Brasil. Barbosa, da ATP, também acredita que as concessões sejam o melhor caminho para a mais adequada navegabilidade nos rios amazônicos. “Os exemplos estão aí, os portos que sempre tiveram dificuldade de manter as profundidades previstas estão justamente concedendo seus canais, para atingir esse objetivo”, defende.
